quarta-feira, 2 de outubro de 2013
ele é meu ponto fraco. com ele penso em como os planos de fazer nada no domingo cinza podem ser interessantes. e em como as surpresas de "vou cozinhar pra você hoje" podem ser igualmente agradáveis. Com ele penso em pegar a estrada, o avião, o ponto e qualquer coisa que nos leve até o próximo destino - mesmo que ele seja aquele morro da cidade vizinha.
Eu só queria um namorinho de portão - Tati Bernardi
“Sim, sim, música eletrônica é demais, celebrar a vida com os amigos é genial, pular bem alto é sensacional. Mas será que a gente não pode colocar um Cartola bem baixinho e dançar sozinhos no escuro, só hoje? Será que a gente não pode parar de adjetivar o mundo e se sentir um pouco?
Eu procuro você desde o dia em que nasci; não, eu não dependo de você para andar, nem para ser feliz, mas como seria bom andar e ser feliz do seu lado”
(Eu só queria um namorinho de portão)
Tati Bernardi
segunda-feira, 30 de setembro de 2013
As Sem Razões do Amor
As Sem Razões do AmorEu te amo porque te amo.
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.
Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.
Eu te amo porque não amo
bastante ou de mais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.
Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.
Carlos Drummond de Andrade, in 'O Corpo'
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.
Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.
Eu te amo porque não amo
bastante ou de mais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.
Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.
Carlos Drummond de Andrade, in 'O Corpo'
sexta-feira, 6 de setembro de 2013
As coisas tão mais lindas - Marina Melz
Me carinha as costas. Teu sorriso de cansaço é tão lindo que eu queria te fotografar. É a imagem mais bonita do mundo. Não sei onde começam meus braços, nem onde começam os teus. O mesmo calor que me amortece as pernas é o frio que me arrepia os braços. Chega mais perto, fica junto de mim. A cama é grande. Deixa minha solidão dormir ao nosso lado, abraçada com a tua: sei que posso tocá-la, mas não preciso: me bastas.
Ri da minha cara, brinca com o meu nariz. Me abraça. Faz frio aqui dentro: me esquenta. Deixa eu sentir teu peito nas minhas costas, teu braço entre meus seios. Deixa eu sentir as pontas dos teus dedos pintando meu rosto de uma felicidade que só tu me poderias oferecer. Escolhe as cores. Escolhe uma música pra ser nossa. Canta. Baixinho. Sussurra já que és canção.
Desliga o celular, apaga a luz. Tua energia é mais forte e mais brilhante. O teu azul não é mar revolto: é céu de inverno. Enrosca teus pés nos meus, me beija de leve o pescoço. Não me deixa tentar entender porque eu não quero conseguir. Faz piada, deixa meu sorriso se espalhar.
Me beija a boca com paixão e a pálpebra com ternura. Deixa o dia nascer, deixa o sol se pôr. Deixa o mundo. Só não me deixa.
Perde teu tempo pra me ganhar. Me abraça a cintura e deixa meus dedos se perderem nos teus cabelos. Escuta meu coração batendo leve, porque tua suavidade me encanta. Beija minha barriga, morde minha orelha, coloca a mão no meu pescoço. Me arrepia, me faz careta.
Dorme e me deixa com a paz do teu sono. Me deixa ser teu sonho. Deixa eu me perder nos teus olhos fechados, deixa eu te invadir. Deixa eu sorrir e sentir pena de tudo que há do outro lado da porta e não pode te ver.
Me acoberta com o jeito de viver o amor por uma hora, um dia ou uma vida inteira. E só não é mais eterno do que o toque da tua pele na minha que fervem a alma e congelam o tempo.
Não levanta, não vai. Deixa eu fazer manha, ser tua manhã. Deita, deita. Fica que eu já volto. Deixa as roupas no chão, não arruma a cama. Me abraça. Me carinha as costas. Sente o nosso cheiro: o café ficou pronto.
Texto de Marina Melz
sexta-feira, 26 de julho de 2013
"i saw the sun hiding, just behind the trees.. but i found it, i could saw all that beauty, that pretty light, for just a little moment. but that moment was so damn hot for my heart, that i was full. you are just like that little sunlight... hiding behind a wall so far, that i can only admire your beauty, only sense your warm light, but it is okey, i will continue to wait for that fast moment of the day, that will last less than an blink of an eye, but will complete me"
quinta-feira, 4 de julho de 2013
A Mulher imperfeita
A mulher imperfeita cansou de ser menininha-do-papai. Mas adora ser uma criança quando se joga em meu colo. Gosto das meninas que me abraçam no meio de um assunto qualquer como quem se coloca sobre meus braços e me exige para ajudá-la em seu caminho. Ela não não sabe pedir ajuda, nem reclamar atenção. Mas me grita com os olhos mudos um amor-me-ajuda-com-o-controle-da-TV ou coisa assim que é mais real do que qualquer berro desesperado.
A mulher imperfeita tem um quê de Maria Flor com a Marla Singer, do “Fight Club”. Ela sabe que está atrasada, mas nem se importa com o horário. O relógio que se adapte. O mundo que gire mais devagar, enquanto ela ainda está escolhendo os vestidos que ela tirou do armário e arremessou por cima da cama, uns oitocentos dele, mas ela jura não ter roupa adequada para sair comigo está noite.
Ela é independente, daquelas que pagam a conta do bar, dirigem automóveis melhores do que eu e se resolvem sem a ajuda de ninguém. Mas enlouquece quando vê uma barata ou coisa assim só para precisar um pouquinho de mim, sabe? A mulher imperfeita come chocolates sem olhar a tabela de calorias ou algo do gênero. Quando eu arroto, ela sorri envergonhada. Me chama de porco, mas quando bebe uns refrigerantes a mais, arrota, também.
A mulher imperfeita veste calça jeans em dias quentes porque esqueceu de depilar as pernas. Prende o cabelo quando está com preguiça de penteá-lo. E só faz as unhas meia hora antes de algum encontro especial. A mulher imperfeita me diz coisas sem pensar. Puxa uns assuntos sem nexo e pouco se importa pela última pergunta que fiz. Ela quer falar sobre a tal banda que ouviu. Ou sobre o tal filme do Woody Allen que viu. Ou sobre a última prova que ela tomou bomba na faculdade. Mas sabe me ouvir, também. Quando estou chateado, ela me dá um beijo na testa como quem diz dá-cá-tua-tristeza e me prepara uma pizza de mentirinha porque ela não tem talentos culinários para fazer algo mais sofisticado.
Na mulher imperfeita, eu encontro aquela gordurinha à mais no quadril quando vou fazer cócegas que adoro. Ela usa calcinhas grandes sem cunho sexual aparente, mas que me atiçam mais do que qualquer lingerie vermelha. Tornozelos finos são divertidos. Pés feios, também. A mulher imperfeita tem pés feios, mas bem cuidados. Tem uns joelhos desconexos e umas coxas que almejam ser grossas. A mulher imperfeita vai muito além do conjunto da pele, entende?
A mulher imperfeita aderiu os tênis, as blusas largas e as saias longas. Ela aceita ser o que é e lhe permite mudar quando tem vontade. A mulher imperfeita adora os erros do mundo e tem insônias com os meus. Grita comigo me pedindo para melhorar e, depois, me beija deliciosamente como quem diz não-consigo-ficar-brava-contigo-seu-idiota. A mulher imperfeita é aquela perfeita para mim.
Hugo Rodrigues
Suspiros
“Mulheres gostam de verdades. Mas não acreditarão fielmente de que seu celular estava sem bateria, de que seus amigos gostam dela ou de que sua ex namorada não significa mais nada para você. Mulheres gostam maquiagens sutis e cabelos bem lisos. Mulheres têm olhos angelicais e diabólicos. Ambos funcionarão com você. Ambos te levarão ao céu ou ao inferno. Mulheres são péssimas motoristas. Mas são ótimas condutoras.
Mulheres gostam de tardes de sol e noites de frio. Mulheres só falam de boca cheia quando for para você rir um pouco. Mulheres sabem fazer caretas como ninguém. Mulheres são fieis aos sentimentos. E não a um simples estado civil. Apesar de não assumirem, mulheres gostam de ser cuidadas. Mesmo que elas estejam gripadas, com narizes vermelhos e cabelos mal penteados. Mulheres gostam de colo. De dar e receber. Mulheres gostam de cavalheirismos e sacanagens. Ambos têm seus momentos. Mulheres gostam de rosas e de tapas. Ambos têm seus momentos.
Mulheres gostam de ouvir palavras doces. Mas não se surpreenda se ela gostar muito mais do silêncio que brilho dos seus olhos oferece ao vê-la chegar. Mulheres gostam quando você chega no horário. E gostam mais ainda quando você as espera sem reclamar. Mulheres gostam de elogios sinceros. Se você falar que ela ficou linda naquele vestido vermelho, você estará assinando um termo perpétuo de que toda vez que ela usar aquele vestido vermelho, você tem que elogiá-la. Ela estará vestindo-o para você. Mulheres não gostam de homens que falam demais. Nem dos que ouvem de menos. Mulheres gostam de perfumes, ciúmes e gargalhadass. Mas odeiam cócegas. Cócegas a deixam vulneráveis. Mulheres gostam de toque, de voz ao pé do ouvido e de carinhos no lóbulo da orelha.
Se uma mulher gosta de você, você estará lindo com tua camisa mais cara ou com tua jaqueta mais brega. Mulheres são mães e filhas. Mas nunca a trate como você se fosse seu pai. Mulheres gostam de igualdade.
Mulheres são inocentes com aqueles pseudo-amigos que - no fundo, no fundo - querem roubar seus beijos. Não discuta. Nem tente ensiná-la a maldade que passeia pela cabeça de alguns meninos. Apenas aceite que a mulher que te acompanha é o sonho de consumo de vários outros por aí. Nunca se esqueça disso. E essa é a lição mais importante que você tem que aprender”,
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